Em um ano que nos pediu para evitar aglomerações e manter distância da vida social, parece até um sonho olhar para trás e lembrar de dezembro de 2018 — o momento em que a gente se reuniu, vindo de todas as partes do mundo, para celebrar os 100 anos de Nelson Mandela no coração de Soweto, em Joanesburgo.
Durante semanas antes do Global Citizen Festival: Mandela 100, a África do Sul estava tomada por expectativa. Tinha algo no ar do verão do país que dizia que uma coisa especial estava chegando à nossa terra. Não era qualquer coisa — era algo de que todo mundo podia fazer parte.
O dia terminou com incríveis US$ 7,2 bilhões (ZAR 104 bilhões) em compromissos assumidos por líderes mundiais, empresas, filantropo(a)s e muito mais. Agora, dois anos depois, a Global Citizen pode anunciar que more than half desses compromissos já foram repassados e já ajudaram 105.4 million people ao redor do mundo.
De saúde a educação, higiene menstrual, prevenção do HIV e banheiros seguros nas escolas, os compromissos assumidos no festival já fizeram uma diferença enorme para melhorar vidas na África do Sul e no mundo. Você pode ler aqui tudo sobre o impacto que o Global Citizen Festival: Mandela 100 — e as ações de Global Citizens — tiveram.
Em um país marcado por desigualdades profundas, não é sempre que sul-africanos têm a chance de viver uma situação em que absolutamente todo mundo pode estar no mesmo espaço e celebrar a mesma coisa.

Não importava quem você era ou de onde vinha: a Global Citizen deixou o convite aberto para todo mundo participar desse evento histórico. Sul-africanos de todas as origens, junto com Global Citizens do mundo inteiro, se dedicaram a entrar em ação para ajudar a garantir os compromissos que levaram ao impacto impressionante anunciado naquele dia.
A essa altura, vale dizer que eu era uma das dezenas de milhares de pessoas na multidão naquele dia — completamente impressionada com a força da comunidade Global Citizen. O dia foi simplesmente mágico e me inspirou de verdade a continuar entrando em ação para acabar com a pobreza extrema. Hoje, dois anos depois de ter feito parte daquela multidão, eu trabalho na Global Citizen, contando histórias que continuam impulsionando mudanças.
Estar na plateia enquanto cada líder mundial e doador influente anunciava o compromisso que assumiu graças ao Global Citizen Festival: Mandela 100 — e às ações que cada pessoa realizou — foi, ao mesmo tempo, reconfortante e inspirador.

Perceber que cada pessoa, junto com as pessoas ao seu redor, tinha o poder de influenciar mudanças globais trouxe uma sensação de empoderamento que provavelmente vai ficar com muita gente por muito tempo.
O festival foi apresentado pelo comediante sul-africano e apresentador do The Daily Show, Trevor Noah. Ele dividiu o palco com o comediante e produtor americano Dave Chapelle e com a atriz sul-africana e embaixadora do ACNUR, Nomzamo Mbatha.
Trevor Noah fala no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Trevor Noah fala no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Os(as) coapresentadores(as) incluíram uma lista de peso de ativistas e celebridades, como Naomi Campbell, Tyler Perry, Bonang Matheba, Sir Bob Geldof, Gayle King e Forest Whitaker.
O line-up de shows também foi absurdo de bom: Beyoncé e JAY-Z foram as atrações principais do festival, ao lado de apresentações de Cassper Nyovest, D'banj, Ed Sheeran, Eddie Vedder, Femi Kuti, Kacy Musgraves, Pharrell Williams e Chris Martin, Sho Madjozi, Tiwa Savage, Usher e Wizkid.
E, enquanto a gente segue nessa viagem pela memória — e celebra o impacto que o festival e as ações de Global Citizens tiveram ao longo dos anos — é impossível não sorrir ao lembrar desses momentos que mexeram com a gente dois anos atrás.
1. A homenagem da família Mandela
Zama Mandela (C) e outras pessoas da família Mandela falam no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Zama Mandela (C) e outras pessoas da família Mandela falam no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Um dos momentos mais marcantes do dia foi a homenagem feita pela família Mandela, que terminou com um chamado para que todos os Global Citizens continuem o legado de Nelson Mandela.
Com 11 integrantes da família Mandela no palco, a bisneta Phumla Mandela-Amuah, o bisneto Luvuyo Mandela e a filha, Dra. Makaziwe Mandela, lembraram o público dos valores que Mandela defendia.
“Justiça, democracia, liberdade e o empoderamento das mulheres eram os pilares essenciais do legado do nosso avô”, disse Phumla. “Os valores pelos quais ele passou a vida lutando seguem vivos em todos nós hoje.”
Luvuyo ainda disse à multidão que o bisavô dele “deixou para todos nós a missão de assumir esse longo caminho rumo à liberdade, exigindo liberdade e derrotando a pobreza até 2030”.
2. Oprah Winfrey falando sobre a importância da união e da gentileza
Em seu discurso principal, Oprah Winfrey relembrou a primeira vez em que encontrou Nelson Mandela, há quase duas décadas, quando foi convidada a passar 10 dias com o ex-presidente da África do Sul.
Depois, ela destacou as lições que Mandela deixou para a gente e a força de trabalhar em conjunto para superar a pobreza e a injustiça.
“Cada um de nós tem a capacidade de confortar e fortalecer alguém com pequenos atos de gentileza”, ela nos disse.
Ela destacou uma questão-chave
lição que a gente pode aprender com Mandela: “quando uma sociedade é ferida, todos nós sangramos.”“Quando muitos não têm o básico, todos nós somos menos do que poderíamos ser”, ela continuou. “Até que cada um de nós seja realmente livre, todos nós estamos acorrentados.”
3. Celebramos o legado de Albertina Sisulu
Tumi Sisulu (C) fala no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Tumi Sisulu (C) fala no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
O ano de 2018 também marcou o 100º aniversário de Albertina Sisulu, uma mulher que dedicou a vida a melhorar a vida do povo sul-africano, como ativista antiapartheid e dos direitos das mulheres.
Ela continua sendo lembrada com carinho como MaSisulu — e o prefixo “Ma” é uma forma respeitosa de se dirigir a uma mulher mais velha ou a uma figura materna.
"Diante de prisão, tortura e até da morte, a coragem de MaSisulu nunca vacilou", disse à multidão sua neta, Tumi Sisulu. "O legado duradouro dela é o coletivo poderoso que ela ajudou a formar: as MaSisulu Women of Fortitude."
MaSisulu Women of Fortitude é uma campanha lançada em 2018 para homenagear seu legado. A iniciativa busca incentivar a geração atual de sul-africanos a manter vivo o legado de ativismo de MaSisulu, por meio de 100 embaixadoras.
Tumi Sisulu reforçou que toda a família Sisulu apoia movimentos que querem enfrentar a desigualdade e reconhecer o papel vital que as mulheres desempenham em todas as áreas da sociedade.
4. Ouvimos a guerreira número um de Wakanda: Danai Gurira
Danai Gurira fala no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Danai Gurira fala no palco do Global Citizen Festival: Mandela 100, no Estádio FNB, em 2 dez 2018, em Joanesburgo, África do Sul.
Mas 2018 também foi o ano de Black Panther — uma celebração de heróis africanos que falavam línguas africanas e usavam roupas africanas. Foi um filme que o continente admirou e abraçou totalmente, como uma celebração da nossa casa.
Ter a atriz zimbabuense-americana e Embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, Danai Gurira — que interpretou Okoye, a líder das guerreiras de Wakanda — falando com o público sobre desigualdade de gênero foi, sem dúvida, algo muito importante.
“Infelizmente, Wakanda é um país fictício”, ela disse. “No nosso mundo, ainda tem muito trabalho a ser feito para equilibrar as oportunidades entre mulheres e homens, meninas e meninos. E a gente precisa de cada uma e cada um de vocês com tolerância zero à violência contra todas as mulheres e todas as meninas.”
5. Todos os artistas incríveis que mantiveram a galera de pé
Não faltaram apresentações inesquecíveis no festival. Do nigeriano Wizkid se juntando ao Soweto Gospel Choir para apresentar uma mistura emocionante de sons; à sul-africana Sho Madjozi subindo ao palco e fazendo todo mundo dançar; passando por Ed Sheeran com suas músicas cheias de charme; e pelo show animado do Usher — foi simplesmente extraordinário.
Encerrar a noite com uma apresentação impecável de Beyoncé e JAY-Z foi o grande destaque musical de um dia que já tinha sido gigante. Os dois cantaram seus próprios sucessos, e a Beyoncé também dividiu o palco com o South Africa Youth Choir e com Ed Sheeran, em versões de Halo e Perfect, do Sheeran.