Global Citizen NOW, o evento que impulsiona ações voltadas aos desafios mais urgentes do mundo, voltou ao Brasil em 4 de junho, na Casa Firjan, em Botafogo, como um dos destaques da primeira edição da Rio Nature & Climate Week. Dois dias depois, em 6 de junho, o Global Citizen Live: Rio de Janeirolevou esse chamado à ação para ainda mais pessoas, com um show gratuito na Enseada de Botafogo, com vista para a icônica orla da cidade. Com Ms. Lauryn Hill, Wyclef Jean e a superestrela brasileira Ludmilla como atrações principais, os eventos uniram música, mobilização e liderança global em apoio a um futuro mais sustentável e justo.

Juntos, os dois eventos abriram um novo capítulo da campanha Protect the Amazondando continuidade aos mais de US$ 1 bilhão em compromissos assumidos e às 4,4 milhões de ações realizadas por cidadãos durante sua primeira fase, em 2025. Antes, a campanha estava focada em promover a proteção das pessoas e da floresta. Agora, sua missão é avançar da proteção à prosperidade, porque não basta manter a floresta em pé se tudo ao seu redor estiver em desequilíbrio. Embora a campanha tenha se concentrado inicialmente em mobilizar atenção e recursos globais, o próximo passo é ampliar a entrega de resultados concretos: transformar compromissos em ações, fazer avançar os investimentos prometidos e construir uma economia resiliente e sustentável que beneficie as pessoas e comunidades que, há gerações, atuam como guardiãs do meio ambiente. O futuro do planeta depende não apenas da conservação, mas também do fortalecimento das comunidades que, há gerações, protegem e dependem dos ecossistemas do mundo.

Ao longo dos dois eventos, uma mensagem ficou bem clara: proteger o planeta não é apenas uma necessidade ambiental, mas também econômica, cultural e humana. Da energia limpa e da agricultura regenerativa à conservação liderada por povos indígenas e ao desenvolvimento sustentável, esses encontros destacaram soluções para alguns dos desafios mais urgentes do mundo que já estão sendo lideradas pelo Sul Global. O que falta agora é financiamento, vontade política e parcerias capazes de ampliar essas iniciativas e garantir que seu impacto seja duradouro.

Para isso, os eventos buscaram: 

  • destacar soluções para questões urgentes do nosso mundo que já estão sendo lideradas em todo o Sul Global;
  • mobilizar recursos para agricultura sustentável na Amazônia e em toda a América Latina, apoiando a criação de até 10.000 empregos.  

Luiza Brasil reflete sobre o papel das histórias, do jornalismo e da cultura na compreensão do público e em inspirar ação. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen


A semana também marcou um importante avanço para o FIFA Global Citizen Education Fund, que ultrapassou a metade de sua meta final de arrecadação ao mobilizar US$ 50 milhões para ampliar o acesso à educação de qualidade e ao esporte para crianças em todo o mundo. Juntas, essas conquistas reforçaram uma convicção central da Rio Nature & Climate Week: seja protegendo florestas, ampliando o acesso à educação, fortalecendo sistemas alimentares e de saúde ou expandindo oportunidades econômicas, o progresso de longo prazo depende de investir nas pessoas e no que cada comunidade precisa para prosperar.

A educação é parte essencial dessa visão. Mas criar oportunidades exige mais do que apenas acesso a uma sala de aula. As crianças precisam de refeições nutritivas, cuidados de saúde, serviços de planejamento familiar, mentoria de qualidade e ambientes de aprendizagem acolhedores para alcançar todo o seu potencial. Quando essas bases existem, os jovens estão mais preparados para liderar suas comunidades, ingressar em setores emergentes da economia verde e contribuir para a construção de economias locais resilientes. Juntas, essas campanhas investem na prosperidade sustentável de longo prazo necessária para construir um futuro melhor para as próximas gerações. 

Rio Nature & Climate Week inaugura uma nova plataforma de ação global

Realizada em parceria com o Instituto Natureza e Clima Brasil, a Cidade do Rio de Janeiro e a Re:wild, a primeira edição da Rio Nature & Climate Week reuniu lideranças do governo, do setor privado, da filantropia, da sociedade civil, de comunidades indígenas e do setor cultural com o objetivo de promover soluções para as crises climáticas e da natureza. Ao longo da semana, a programação reuniu dezenas de sessões organizadas de forma independente em diferentes pontos da cidade, criando uma plataforma de alcance municipal para diálogo e ação. Como uma das coorganizadoras da iniciativa, a Global Citizen ajudou a fortalecer a semana por meio do Global Citizen NOW: Rio e do Global Citizen Live: Rio de Janeiro, dois eventos centrais que conectaram debates sobre políticas públicas ao engajamento e à mobilização da população.

(E-D) Júlia Dias Carneiro, Alex Rafalowicz, Marcus Vinicius Athayde, André Lima e Elvira Pablo debatem como comunidades do Sul Global impulsionam soluções de clima e desenvolvimento. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

E o momento não poderia ser mais oportuno. Com os aprendizados da COP30 e o legado de sua recente liderança no G20, o Brasil se consolidou como uma das principais vozes globais em clima, natureza e desenvolvimento inclusivo. Ao longo da semana, os participantes discutiram como a proteção da Amazônia e a ampliação das oportunidades econômicas podem caminhar lado a lado, desde o apoio direto às comunidades locais até a expansão de indústrias sustentáveis e empregos verdes. Em um cenário em que a cooperação climática e o financiamento público enfrentam crescentes pressões, o Brasil e o Sul Global demonstram que a ação climática não pode ser dissociada do desenvolvimento econômico.

Dessa forma, a Rio Nature & Climate Week representou um passo natural para a próxima fase da campanha Protect the Amazon, da Global Citizen, conectando a liderança política à participação pública. O objetivo era criar caminhos claros para que mais pessoas pudessem se envolver e garantir que esse impulso não se limitasse às reuniões a portas fechadas, mas se convertesse em ações coletivas significativas. Criar esses espaços de participação é fundamental porque a proteção ambiental não pode ser dissociada da vida e dos meios de subsistência das pessoas. O progresso duradouro depende da criação das condições necessárias para que as comunidades prosperem. Não basta apenas proteger os recursos naturais; mas também fortalecer as comunidades que estão na linha de frente de sua preservação, garantindo que tenham o apoio e as oportunidades necessários para construir futuros resilientes e prósperos.

Diego Ribas fala de como o esporte pode abrir caminhos para educação, oportunidades e impacto social no Global Citizen NOW: Rio de Janeiro. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Uma nova fase decisiva: transformar promessas para a Amazônia em realidade

A primeira fase da campanha Protect the Amazon, da Global Citizen, buscou colocar o Brasil no centro do debate climático global e demonstrou o que a ação coletiva bem direcionada pode alcançar: mais de US$ 1 bilhão mobilizado e 4,4 milhões de ações realizadas por cidadãos, além de importantes compromissos assumidos para proteger as florestas do desmatamento, investir na transição para uma energia limpa e apoiar diretamente as comunidades que vivem na Amazônia e atuam em sua proteção. Ao todo, essas iniciativas contribuirão para a proteção ou restauração de 31 milhões de hectares de terra e terão impacto na vida de 18 milhões de pessoas.

Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas do Brasil, fala sobre a importância da liderança indígena nas soluções de clima e desenvolvimento. | Lucas Figueiredo/Getty Images for Global Citizen

Com o Global Citizen NOW: Rio e o Global Citizen Live: Rio de Janeiro, a campanha entrou em sua próxima fase, avançando da conscientização para a implementação de ações, investimentos e resultados mensuráveis.

A campanha foi fortalecida pela parceria com organizações indígenas, incluindo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira(COIAB), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil(APIB) e a Associação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), além de parceiros da sociedade civil, como Greenpeace, Amazônia de Pé, Engajamundo e a Central Única das Favelas (CUFA). Juntamente com mais de 190 organizações da sociedade civil, esses parceiros ajudaram a mobilizar apoio, ampliar vozes locais e moldar a visão da campanha.

Elvira Pablo destaca a importância da liderança de mulheres indígenas na criação de políticas climáticas e de conservação mais justas. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen




No centro desse novo capítulo está uma ideia simples: o futuro da Amazônia não pode ser garantido apenas por meio da conservação. Ele exige um novo modelo econômico que reconheça o valor das florestas em pé, apoie os povos indígenas, afrodescendentes, ribeirinhos, quilombolas e as comunidades locais que as protegem, e crie oportunidades reais para que as pessoas prosperem tanto nas áreas rurais quanto nas periferias urbanas.

O futuro da segurança climática depende de que cada uma dessas comunidades tenha condições de enfrentar desafios e prosperar com dignidade e oportunidades econômicas. Isso significa ampliar o acesso à energia limpa, promover a agricultura regenerativa, fortalecer meios de subsistência sustentáveis, criar empregos verdes, apoiar a conservação liderada pelas comunidades e ampliar o acesso à educação e à capacitação para a economia do clima.

Para alcançar esse objetivo, a Global Citizen trabalha para ajudar a mobilizar as estruturas de financiamento necessárias para transformar soluções promissoras em iniciativas de grande escala — desde filantropia catalítica e financiamento para o desenvolvimento até capital misto, políticas públicas e investimentos do setor privado. Essas ferramentas podem ajudar a reduzir os riscos iniciais que desestimulam investimentos privados e liberar os recursos necessários para apoiar as pessoas que já estão promovendo mudanças concretas nos territórios.

Os primeiros avanços decorrentes dos compromissos assumidos durante a campanha Protect the Amazon, que garantiu um total de 33 compromissos financeiros e de políticas públicas, já demonstram como promessas podem se transformar em ações concretas. Um dos exemplos mais claros desse trabalho foi apresentado por meio de uma atualização do Fundo Flora, um fundo de restauração anunciado pela primeira vez durante o Global Citizen Festival: Amazônia, em 2025. Criado pelo WRI Brasil e administrado em parceria com a Sitawi Finance for Good, o Fundo Flora foi concebido para enfrentar um desafio de longa data no financiamento da conservação: garantir um fluxo confiável de recursos diretamente para as organizações locais que lideram esforços de restauração. Em seu lançamento, o fundo garantiu US$ 4,9 milhões em recursos de parceiros como o Bezos Earth Fund, a The Coca-Cola Foundation e a AKO Foundation, com a meta de direcionar US$ 10 milhões para organizações que lideram a restauração em todo o estado do Pará até o fim de 2026.

O fundo está no caminho certo para alcançar essa meta. Após seu primeiro edital de seleção, o Fundo Flora escolheu uma turma inaugural de 10 projetos, representando 26 cooperativas, associações e empreendimentos, para receber investimentos. Juntos, esses projetos devem restaurar mais de 1.500 hectares de áreas degradadas, regenerar mais de 1 milhão de árvores, criar mais de 210 empregos e beneficiar 4 mil pessoas. O fundo prioriza organizações lideradas por povos indígenas, comunidades afrodescendentes, mulheres e jovens — grupos que historicamente tiveram acesso limitado a financiamento, apesar de desempenharem um papel central nos esforços de restauração e conservação.

Outros compromissos da campanha também começam a ganhar forma. O Soros Economic Development Fund (SEDF) concluiu investimentos que somam US$ 35 milhões em fundos locais, incluindo o Amazon Biodiversity Fund, a SP Ventures e a EcoEnterprises, impulsionando modelos de desenvolvimento econômico sustentável que protegem a natureza ao mesmo tempo que geram empregos e fortalecem os meios de subsistência das comunidades locais. Enquanto isso, o IDESAM já destinou R$ 25 milhões — metade de sua meta de R$ 50 milhões — para negócios da bioeconomia em toda a Amazônia por meio do programa PPBio. Os primeiros resultados apontam avanços promissores tanto na geração de renda local quanto na sustentabilidade das cadeias de valor da região.

Outras iniciativas reforçam diferentes pilares fundamentais para uma economia próspera baseada na natureza. Entre os principais compromissos anunciados estão US$ 185 milhões do Banco do Brasil para sua estratégia mais ampla de US$ 1 bilhão voltada à Amazônia; US$ 100 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento para iniciativas voltadas a florestas, recursos hídricos e bioeconomia indígena; mais de US$ 160 milhões da Everland para a proteção de longo prazo das florestas indígenas; US$ 50 milhões da Energea para ampliar o acesso à energia limpa em comunidades sem acesso à rede elétrica; além de investimentos em segurança alimentar e biodiversidade realizados pelo CIMMYT, pela Crop Trust e por outras organizações.

(E-D) Samela Sateré Mawé, Marcele Oliveira, Mirela Sandrini e João Tezza Neto debatem como uma bioeconomia forte pode gerar prosperidade e proteger a natureza. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Esses compromissos ajudam a demonstrar o que significa conectar a proteção ambiental aos elementos essenciais de que toda comunidade precisa para prosperar. Isso porque o maior valor da Amazônia e de outros ecossistemas não está no que pode ser extraído deles, mas no que pode florescer quando permanecem em pé.

Em outras palavras, proteção sem prosperidade não se sustenta por muito tempo. A conservação duradoura depende da integração da conservação às economias locais e de garantir que as pessoas que estão na linha de frente da proteção da natureza tenham acesso à educação, emprego, energia, saúde e oportunidades econômicas necessárias para prosperar por gerações.

José Manuel Durão Barroso, ex-presidente da Comissão Europeia, debate liderança global e cooperação internacional no Global Citizen NOW: Rio de Janeiro. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Global Citizen NOW retorna ao Rio de Janeiro

Como parte da programação da Rio Nature & Climate Week, o Global Citizen NOW: Rio de Janeiro foi realizado em 4 de junho, na Casa Firjan, em Botafogo. A cúpula foi apresentada pela jornalista Luiza Zveiter e pela influenciadora de moda Gabb. Em um momento em que os desafios globais se intensificam, diante da redução dos recursos destinados à ajuda internacional e da crescente fragmentação da cooperação climática, o encontro reuniu lideranças de diferentes setores para fortalecer o alinhamento e a prestação de contas, além de destacar soluções práticas e parcerias que já estão gerando impacto nos territórios.

De volta ao Rio pela segunda vez, e marcando a terceira edição do Global Citizen NOW realizada no Brasil, após o lançamento da campanha Protect the Amazon durante o Global Citizen NOW: Rio de Janeiro em 2024 e o Global Citizen NOW: Amazônia em Belém em 2025, o evento serviu como uma plataforma para construir parcerias, destacar soluções inovadoras e acelerar ações voltadas às questões que moldam o futuro da Amazônia e da região como um todo.

Esta edição foi realizada em parceria com a Cidade do Rio de Janeiro e com as organizações parceiras Rio Nature & Climate Week e Re:wild, além dos parceiros principais Amazonia+21 e MetLife e dos parceiros apoiadores Open Society Foundations e Pele Energy Group, com agradecimentos à Heineken.

Ao longo do dia, os participantes destacaram uma ideia central: proteger a natureza e ampliar as oportunidades econômicas não são prioridades concorrentes — são objetivos profundamente interligados. As conversas que se seguiram exploraram como governos, empresas, organizações filantrópicas, lideranças indígenas e cidadãos podem trabalhar em conjunto para ampliar soluções na escala necessária e garantir que a transição para um futuro mais verde gere prosperidade de forma justa para as comunidades da Amazônia e de outras regiões.

Um dia de debates dinâmicos

A cúpula teve início com um discurso de Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, que deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância da Rio Nature & Climate Week como um catalisador para uma liderança climática ambiciosa, tanto no âmbito local quanto global.

(E-D) Allyne Andrade e Silva, Eloy Terena, Kiko Afonso e Sophie Davies refletem sobre a liderança do Brasil num mundo em mudança e o papel da democracia, das vozes indígenas e da ação cívica por um futuro mais sustentável. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Ao longo do dia, os palestrantes reforçaram uma ideia central: proteger a natureza e ampliar as oportunidades econômicas não são prioridades concorrentes — são objetivos profundamente interligados. As conversas exploraram como governos, empresas, organizações filantrópicas, lideranças indígenas e cidadãos podem trabalhar em conjunto para desenvolver e expandir soluções na escala necessária, garantindo que a transição para um futuro mais verde gere prosperidade de forma justa na Amazônia e em outras regiões.

  • A Liderança do Sul Global em Ação — Moderado por Júlia Dias Carneiro (jornalista independente), este debate reuniu Alex Rafalowicz (diretor-executivo da Fossil Fuel Treaty Initiative), André Lima (secretário nacional da Secretaria Extraordinária de Controle do Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), Marcus Vinicius Linhares (presidente da CUFA Global e da Favela Holding) e Elvira Pablo (integrante da Rede Nacional de Advogadas Indígenas) para explorar como comunidades de diferentes continentes do Sul Global estão moldando agendas globais por meio de soluções práticas, liderança econômica e influência cultural, em um momento marcado por crescentes turbulências geopolíticas.
  • Construindo uma Economia em Harmonia com a Natureza Juliana Wallauer (fundadora do Mamilos) mediou uma conversa entre Marcelo Thomé (presidente do Instituto Amazônia+21 e da FAIS), Obakeng Moloabi (membro fundador e diretor de desenvolvimento de negócios do Pele Energy Group) e Ricardo Mussa (presidente da SB COP) sobre o que é necessário para transformar ideias baseadas na natureza em projetos concretos. O grupo discutiu como os investimentos podem gerar empregos e oportunidades econômicas, e como parcerias entre diferentes setores estão ajudando a ampliar soluções que promovem o crescimento sustentável na América do Sul.
  • A Próxima Geração de Empregos Verdes — Em uma segunda conversa moderada por Wallauer, Ana Fontes (fundadora e presidente da Rede Mulher Empreendedora), Eduarda Zoghbi (fundadora da MPower Brasil) e Roberto Rossi (presidente da Schneider Electric Brasil) exploraram como a transição para uma economia verde pode criar novos caminhos para o trabalho decente, o empreendedorismo e o crescimento inclusivo, colocando a equidade social e a geração de oportunidades no centro de uma economia voltada para a ação climática.
  • Cultura, Criatividade e o Poder de Impulsionar Mudanças — Apresentada por Gabb, esta discussão reuniu Dayana Molina (fundadora da Nalimo e pesquisadora têxtil), Luiza Brasil (jornalista, autora de Caixa Preta e colunista da Vogue Brasil) e Oskar Metsavaht (diretor criativo da Osklen e presidente do Instituto-E) para examinar como alguns dos setores criativos mais fortes do Brasil — moda, comunicação, design e jornalismo — desempenham um papel fundamental no fortalecimento da cultura democrática e da imaginação social, influenciando o que as pessoas acreditam ser possível para suas comunidades e para o meio ambiente, além de inspirar novas formas de ação e participação cidadã.
  • A Bioeconomia que Queremos — Mediada por Jessi Alves (bióloga e especialista em ESG), o encontro reuniu João Tezza Neto (empreendedor, economista e líder da bioeconomia amazônica), Marcele Oliveira (Campeã Jovem do Clima da COP30), Mirela Sandrini (diretora-executiva do WRI Brasil) e Samela Sateré Mawé (bióloga, artesã, comunicadora indígena e ativista pelos direitos indígenas e pelo clima) para discutir o potencial transformador da bioeconomia, seu papel na conservação e a importância de garantir que comunidades indígenas e organizações da sociedade civil estejam no centro da tomada de decisões, da prestação de contas e do acesso a financiamento.
  • Além do Jogo: Como o Esporte Pode Impulsionar Investimentos, Educação e Impacto Social — Moderado por Luiza Zveiter, este painel contou com Denise Coelho (diretora de marketing da MetLife Brasil), Diego Ribas (empreendedor e mentor) e Pedro Moreno (diretor de marketing, patrocínios e captação de recursos da Rede Tênis), que discutiram como investimentos precoces no esporte e na economia criativa podem criar melhores oportunidades para o futuro de crianças e jovens, além de destacar como o FIFA Global Citizen Education Fund e seus parceiros comunitários estão promovendo impacto local nos territórios.
  • Liderança Global em um Mundo Fragmentado — Em uma conversa entre José Manuel Durão Barroso (professor da Universidade Católica Portuguesa e ex-presidente da Comissão Europeia) e Julliana Lopes (apresentadora e analista política da CNN Brasil), os participantes analisaram o que significa exercer uma liderança eficaz em um mundo cada vez mais fragmentado, como o Norte e o Sul Global podem trabalhar juntos para impulsionar o progresso e o que será necessário para reconstruir a confiança na cooperação internacional.
  • A Liderança do Brasil em um Mundo em Transformação — Moderado por Julliana Lopes, da CNN Brasil, o encontro de encerramento reuniu Allyne Andrade e Silva (vice-diretora executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos), Eloy Terena (ministro dos Povos Indígenas do Brasil), Kiko Afonso (diretor-executivo da Ação da Cidadania) e Sophie Davies (embaixadora da Austrália no Brasil) para refletir sobre o legado que o Brasil deixa após a COP30 e os caminhos rumo à COP31. Juntos, eles discutiram por que a democracia é essencial para a ação climática e por que a liderança indígena deve desempenhar um papel central na construção das políticas públicas que moldarão o futuro.

Destacando soluções que já estão em ação

Além dos debates ao longo do dia, uma série de sessões em destaque apresentou organizações que já estão gerando impacto concreto para comunidades em diferentes regiões do Brasil. Juntas, elas demonstram o que é possível alcançar quando soluções visionárias e lideranças locais trabalham lado a lado.

  • Revolusolar: Energizando Oportunidades — Fundada em 2015, na Favela Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, a Revolusolar combina energia solar, geração de empregos e educação para promover o desenvolvimento local liderado pela comunidade. Adriano Paraíso (diretor de Pessoas e Comunidades) e Sara Hins (líder de Projetos) compartilharam como a organização capacita moradores para instalar e realizar a manutenção de painéis solares, ampliando o acesso à energia limpa e, ao mesmo tempo, preparando as comunidades para oportunidades de trabalho em tecnologias verdes. Atualmente, a Revolusolar atua em oito comunidades no Brasil, incluindo uma comunidade indígena na Amazônia.
  • Providência Agroecológica: Cultivando ResiliênciaAlessandra Roque (cofundadora) compartilhou como a organização socioambiental atua para promover a soberania alimentar, a educação ambiental e a preservação cultural por meio da disseminação de práticas agroecológicas baseadas em conhecimentos tradicionais afro-indígenas. Fundada em 2013 por mulheres do Morro da Providência — amplamente reconhecido como a primeira favela do Brasil —, a organização está construindo uma nova escola enquanto continua atuando na interseção entre restauração ecológica e justiça social.
  • Levando o Rio para o MundoTeresa Borges (coordenadora de Relações Internacionais da Cidade do Rio de Janeiro) compartilhou como as cidades — e o Rio de Janeiro, em particular — estão enfrentando a crise climática de forma direta no âmbito local. Ao destacar os planos de mitigação e adaptação da cidade, Borges explicou como a ação climática vem avançando por meio de parcerias internacionais que promovem a troca de conhecimentos e fortalecem a colaboração entre países.
  • Conexão Povos da Floresta: Conectando Comunidades, Protegendo Florestas Tasso Azevedo (Coordenador-Geral) apresentou a ambiciosa missão da iniciativa: ampliar a conectividade digital, a educação e as oportunidades econômicas em comunidades florestais historicamente pouco atendidas no Brasil. Com início na Amazônia, o projeto pretende alcançar 1 milhão de pessoas em 9 mil comunidades até o final da década, expandindo-se posteriormente para outras regiões e demonstrando como conservação e desenvolvimento podem caminhar juntos.

A cúpula foi encerrada em clima de celebração com uma vibrante apresentação do Tambores de Olokun. Ao som de seus tambores e cortejo, o grupo convidou os participantes a se reunirem do lado de fora da conferência, em um encerramento à altura de um dia centrado na comunidade e na ação coletiva.

Artistas recebem o público no Global Citizen NOW: Rio de Janeiro, na Casa Firjan, abrindo um dia focado em transformar ambição climática em ação. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Global Citizen Live: Rio convida o público a entrar em ação

Como culminação de uma intensa semana de mobilização climática, o Global Citizen Live: Rio encerrou a Rio Nature & Climate Week com um show gratuito na icônica Enseada de Botafogo, um dos cenários mais emblemáticos da cidade. Com Ms. Lauryn Hill e Wyclef Jean como atrações principais, celebrando os 30 anos do histórico álbum The Score, dos Fugees, a noite também contou com apresentações de YG Marley, Zion Marley, Ludmilla e DJ Tamy Reis. A condução do evento ficou por conta de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, diante de um público que lotou o local. 

O evento foi gratuito, mas a participação esteve longe de ser passiva. Por meio do aplicativo da app do Global Citizen, de ações realizadas pelo WhatsApp e de oportunidades de voluntariado local, os fãs foram convidados a entrar em ação em apoio às prioridades da campanha e, assim, concorrer à chance de participar do evento. Juntos, os participantes geraram 1,75 milhão de ações, impulsionando iniciativas voltadas à proteção da Amazônia, à mobilização de financiamento climático, à ampliação do acesso à energia limpa, à criação de empregos verdes e ao apoio a povos indígenas e comunidades locais. As ações vinculadas ao evento também contribuíram para prioridades centrais da Global Citizen, incluindo os esforços para mobilizar recursos para a agricultura sustentável na Amazônia e em toda a América Latina, com potencial para apoiar até 10 mil empregos, além da arrecadação de recursos para o FIFA Global Citizen Education Fund.

O show encerrou uma série de atividades de engajamento público realizadas ao longo da semana. Em 30 de maio, a Global Citizen realizou, em parceria com o Instituto Boas Ondas, um mutirão de limpeza de praia na Praia da Barra. Dias depois, uniu-se à Onda Solidária para realizar o “Game for Climate”, iniciativa que combinou futebol e atividades de educação climática para envolver jovens da região. Juntas, essas ações convidaram o público brasileiro a se conectar aos objetivos da campanha e demonstraram que todos têm um papel a desempenhar na construção de um futuro mais sustentável.

YG Marley se apresenta no Global Citizen Live: Rio de Janeiro, onde artistas e Global Citizens se uniram para apoiar ações por natureza, educação e oportunidades. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen



O Global Citizen Live: Rio de Janeiro também deu continuidade ao compromisso da Global Citizen com a produção sustentável de eventos. Por meio de uma contribuição em créditos de carbono verificados fornecida pela Future Climate e pela Solví, toda a pegada de carbono do evento será compensada por projetos que capturam gases de aterro sanitário, reduzem as emissões de metano, geram energia renovável, conservam florestas na Amazônia e promovem soluções de economia circular em todo o Brasil, gerando benefícios duradouros para o clima e para as comunidades.

Em sua essência, o Global Citizen Live: Rio de Janeiro demonstrou, na prática, como a organização utiliza o poder da música, da cultura e da ação coletiva para transformar conscientização em ação e ação em impacto mensurável.

DJ Tamy Reis se apresenta no Global Citizen Live: Rio de Janeiro, ajudando a encerrar a Rio Nature & Climate Week com uma celebração de cultura, comunidade e ação. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Novos compromissos ajudam o FIFA Global Citizen Education Fund a ultrapassar US$ 50 milhões

A noite também marcou um importante avanço para o FIFA Global Citizen Education Fund, que ultrapassou a marca de US$ 50 milhões arrecadados rumo à sua meta de mobilizar US$ 100 milhões para ampliar o acesso à educação de qualidade e ao esporte para crianças em todo o mundo.

Diversos novos compromissos anunciados ao longo da semana contribuíram para impulsionar esse avanço. Em uma mensagem em vídeo exibida durante o Global Citizen NOW: Rio, Sua Excelência Hakainde Hichilema, presidente da Zâmbia, anunciou um compromisso de US$ 1 milhão para o Fundo, destacando o poder transformador da educação e convocando governos, empresas, filantropos e cidadãos a se unirem a esse esforço.

“Talento é universal, mas oportunidade não”, afirmou o presidente Hichilema, ao incentivar outros governos, empresas, organizações filantrópicas e cidadãos de todo o mundo a seguirem esse exemplo e apoiarem o Fundo para mudar essa realidade. “Juntos, podemos abrir portas que nenhuma criança deveria encontrar fechadas.”

Enquanto isso, a Adam Foundation, sediada no Reino Unido, anunciou um importante compromisso de US$ 750 mil para o Fundo, ajudando a ampliar o acesso a oportunidades educacionais, ao desenvolvimento de habilidades e à alimentação escolar, com o objetivo de construir um futuro mais promissor para jovens em todo o mundo e também no Reino Unido. A organização destacou seus planos de conectar o impacto dessa nova parceria às comunidades locais britânicas por meio de iniciativas afiliadas, como a Avicenna Foundation e o Community Exchange Hub, criando novas oportunidades e caminhos para o sucesso de jovens tanto dentro quanto fora das fronteiras do país.
Juntos, esses compromissos reforçam a convicção de que toda criança, independentemente de onde tenha nascido, merece ter acesso à educação, a oportunidades e ao apoio necessário para crescer e prosperar.

A superstar brasileira Ludmilla se apresenta no Global Citizen Live: Rio de Janeiro, ajudando a encerrar a Rio Nature & Climate Week com música, cultura e ação coletiva. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

O que vem pela frente 

À medida que a Global Citizen continua expandindo sua presença ao redor do mundo, os eventos realizados no Rio representam um importante marco em um movimento crescente comprometido em transformar ideias ambiciosas em ações mensuráveis. Em todas as conversas, compromissos e chamados à ação promovidos durante o Global Citizen NOW e o Global Citizen Live: Rio de Janeiro, uma mensagem ficou clara: proteger a natureza e ampliar as oportunidades econômicas não são prioridades concorrentes. A conservação de longo prazo exige investimentos nas pessoas e comunidades que protegem os ecossistemas mais vitais do planeta, enquanto o progresso econômico duradouro depende da preservação dos recursos naturais que sustentam vidas e possibilitam o crescimento futuro.

As conversas e os compromissos anunciados no Rio refletem uma transformação mais ampla que já está em curso. Em todo o Brasil e no restante da Maioria Global, lideranças e defensores da causa estão promovendo modelos práticos e capazes de atrair investimentos para conectar desenvolvimento, natureza e prosperidade. Na prática, isso significa mobilizar investimentos, apoiar empregos sustentáveis, ampliar oportunidades educacionais, acelerar o acesso à energia limpa e fortalecer as condições necessárias para que as comunidades prosperem.

Com base nos avanços iniciais rumo ao apoio de até 10 mil empregos sustentáveis na Amazônia e em toda a América Latina, a Global Citizen continuará trabalhando ao longo de 2026 com governos, empresas, organizações filantrópicas, instituições multilaterais e cidadãos para ajudar a viabilizar os investimentos e as parcerias necessários para transformar esses objetivos em realidade.

O encerramento da Rio Nature & Climate Week marca o início da próxima fase desse trabalho, voltada para gerar resultados concretos para as comunidades mais afetadas pela pobreza e pelas mudanças climáticas.

Líderes, defensores, empreendedores e agentes de mudança se reúnem na Casa Firjan para o Global Citizen NOW: Rio de Janeiro, parte da 1ª Rio Nature & Climate Week. | Wagner Meier/Getty Images for Global Citizen

Ao longo de 2026, esse movimento continuará ganhando força. O próximo destino será o Japão, com o Global Citizen Live: Tokyo, o primeiro evento musical da organização no país. Marcado para 18 de junho, no Tokyo International Forum, o evento contará com apresentações de YOSHIKI, &TEAM, Ai e Yuki Chiba, com a renda das vendas de ingressosdestinada ao FIFA Global Citizen Education Fund. As ações vinculadas ao evento também buscarão impulsionar avanços em prioridades globais de saúde, incluindo a saúde materna e infantil, ampliar o acesso a serviços essenciais e melhorar os resultados para algumas das comunidades mais vulneráveis do mundo.

No próximo mês, todas as atenções estarão voltadas para o histórico e inédito Show do Intervalo da FIFA World Cup 2026™ , que será realizado em 19 de julho e organizado pela Global Citizen. O evento contará com Madonna, Shakira e BTS como atrações principais e marcará o momento culminante da campanha do FIFA Global Citizen Education Fund para arrecadar um total de US$ 100 milhões em apoio à educação e ao acesso ao esporte para crianças em todo o mundo.

O trabalho que temos pela frente continua urgente. O Rio celebrou o que é possível alcançar quando vontade política e ação cidadã caminham na mesma direção. Mas também serviu como um convite para ir além. A verdadeira prosperidade exige que todos avancem juntos, para que todas as comunidades possam crescer com dignidade e em harmonia com a natureza. O futuro da Amazônia, do clima e das nossas comunidades depende de cidadãos em todo o mundo não apenas assistirem à história acontecer, mas também erguerem suas vozes para ajudar a moldá-la.

Impact

Drive the Movement

Global Citizen NOW e Global Citizen Live: Rio promovem um futuro em que pessoas e natureza prosperam juntas

Por Victoria MacKinnon