A corrida para acabar com a extrema pobreza enfrentou grandes contratempos nos últimos anos. Embora a COVID-19 não assombre mais nossas comunidades como em 2020, os efeitos em cascata da pandemia agravam a condição de vida das pessoas mais pobres em todo o mundo. Além disso, a violência e eventos climáticos severos estão deslocando pessoas de suas casas, interrompendo o fornecimento de alimentos e exacerbando ainda mais a pobreza. Isso significa que a ajuda ao desenvolvimento para os mais pobres do mundo torna-se fundamental. A Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) é essencial na equação. Parte do Banco Mundial, a IDA reúne fundos de doadores para ajudar os países mais pobres do mundo a melhorar as condições de vida de 1,5 bilhão de pessoas.

Porém, esse recurso para o fim da pobreza necessita de mais contribuições. O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, está convocando os doadores da IDA para levantar um recorde de $100 bilhões de dólares em fundos de recarga para ajudar os países de baixa renda a obter melhores resultados para sua população.

“Estamos pressionando os limites deste importante recurso concessional, e nenhuma engenharia financeira criativa compensará o fato de que precisamos de mais financiamento”, disse Banga. “Isso deve motivar cada um de nós a fazer com que o próximo orçamento da IDA seja o maior de todos os tempos.”

Como a IDA Funciona?

A IDA é a maior fonte única de financiamento concessional do mundo, o que significa que fornece subvenções e créditos com juros zero, ou reduzidos, e um período de reembolso de 30 a 40 anos. Esses termos de empréstimo amigáveis tornam a IDA uma tábua de salvação para os países de baixa renda que podem não conseguir acessar outras fontes de financiamento para se recuperar dos impactos de uma pandemia, mudanças climáticas ou guerra.

Os fundos da IDA apoiam várias atividades de desenvolvimento, incluindo aquelas relacionadas à educação, saúde, agricultura e resiliência climática, visando melhorar a condição de vida das pessoas. Um dos exemplos mais notáveis do impacto da IDA é seu apoio durante a Revolução Verde da Índia na década de 1960. Ao investir em projetos relacionados à agricultura, a IDA desempenhou um papel crucial em ajudar a Índia a evitar a ameaça de fome e alcançar a auto-suficiência em grãos alimentares.

Mais recentemente, a IDA investiu pesadamente na eletrificação da África Oriental e Austral através do programa Acelerando a Transformação de Acesso à Energia Sustentável e Limpa (ASCENT), que pretende fornecer acesso à eletricidade para pelo menos 100 milhões de pessoas e estabelecer abordagens de aceleração para expandir o acesso a mais 200 milhões.

Atualmente, a IDA apoia 75 países ao redor do mundo. Desde a sua fundação em 1960, a IDA forneceu $533 bilhões em investimentos em 115 países, sendo a África o continente mais beneficiado. Até agora, 36 nações se graduaram no grupo de empréstimos, com várias retornando à IDA como doadoras.

O Que Significa Reabastecimento?

A IDA obtém seus fundos de várias fontes: governos doadores (55 países de alta e média renda), mercados de capitais e o Grupo Banco Mundial. A cada três anos, a IDA convoca seus doadores para reabastecer seus fundos, de modo que ela possa continuar fazendo impacto.

Este ano marca o 21º ciclo de reabastecimento da IDA (IDA21) desde 1960. Em dezembro, os doadores vão anunciar suas contribuições para os próximos três anos. O IDA21 tem como tema “Acabar com a Pobreza num Planeta Habitável: Agir com Urgência e Ambição”.

O reabastecimento mais recente (IDA20) foi finalizado em dezembro de 2021 e resultou em um pacote de financiamento histórico de $93 bilhões de dólares, a maior quantidade já mobilizada na história da IDA. O IDA21 pretende quebrar esse recorde chegando a $100 bilhões de dólares, $30 bilhões provenientes dos países doadores.

Os países doadores precisarão aumentar seus compromissos em relação ao ciclo anterior de reabastecimento, o que pode parecer ambicioso por várias razões. Grandes doadores como EUA e Reino Unido reduziram a ajuda aos países de baixa renda nos últimos anos para aumentar o apoio à Ucrânia e à mitigação climática. E, em segundo lugar, o dólar forte significa que os outros países doadores precisarão contribuir mais com sua moeda local para manter sua posição do último ciclo de reabastecimento.

Apesar destes desafios, é não apenas crucial, mas também inteligente para os países doadores atingirem a meta de reabastecimento de $30 bilhões de dólares. As contribuições para a IDA têm um impacto desproporcional devido a um efeito multiplicador, onde cada $1 bilhão doado se transforma em quase $4 bilhões em subvenções e empréstimos para países mutuários. Em outras palavras, contribuir para a IDA é uma das maneiras mais eficazes de países de alta e média renda ajudarem a reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida dos mais pobres do mundo.

Como eu posso ajudar?

Alcançar a meta de reabastecimento de $100 bilhões de dólares da IDA — dos quais $30 bilhões precisarão vir dos países doadores — é necessário se o mundo quiser avançar na direção do fim da pobreza extrema.

Enquanto chamamos cada país doador para aumentar sua contribuição em dezembro, é especialmente importante que os maiores doadores da IDA façam compromissos significativos, pois são eles que têm o poder de estimular o crescimento. Os 15 principais doadores da IDA representam mais de 90% de suas contribuições, enquanto mais da metade das contribuições totais vêm dos cinco principais doadores da IDA. Se esses grandes players — EUA, Japão, Reino Unido, Alemanha e França — aumentarem seus compromissos, a meta de $30 bilhões de dólares será muito mais fácil de ser alcançada.

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Por Kristine Liao